set
14
No tempo da minha infância

Recebi de um amigo querido – Álvaro Muzzi – que sempre me presenteia com preciosidades como essa.
Vontade de ser criança outra vez…

No tempo da minha infância” – versos de Ismael Gaião

“No tempo da minha infância, nossa vida era normal.
Nunca me foi proibido comer muito açúcar ou sal.
Hoje tudo é diferente sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal.

Bebi leite ao natural, da minha vaca Quitéria,
E nunca fiquei de cama com uma doença séria.
As crianças de hoje em dia não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria.

A barriga da miséria tirei com tranquilidade,
Do pão com manteiga e queijo hoje só resta a saudade.
A vida ficou sem graça, não se pode comer massa.
Por causa da obesidade eu comi ovo à vontade,
Sem ter contra indicação, pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão.
Hoje a vida é uma loucura, dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração.

Com a modernização, quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei que nos deixa reprimido.
Fazendo tudo que eu fiz, hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido.
Eu nunca fui impedido de poder me divertir,
E nas casas dos amigos eu entrava sem pedir.
Não se temia a galera, e naquele tempo era
Proibido proibir


Vi o meu pai dirigir numa total confiança,
Sem apoio, sem “air-bag”, sem cinto de segurança;
E eu no banco de trás solto, igualzinho aos demais,
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança, por ter sido reprovado,
Ninguém ia ao psicólogo, nem se ficava frustrado.
Quando isso acontecia, a gente só repetia
Até que fosse aprovado.

 

Não tinha superdotado, nem a tal dislexia,
E a hiperatividade é coisa que não se via.
Falta de concentração se curava com carão
E disso ninguém morria.

Nesse tempo se bebia água vinda da torneira,
De uma fonte natural ou até de uma mangueira.
E essa água engarrafada, que diz-se esterilizada,
Nunca entrou na nossa feira.


Para a gente era besteira ter perna ou braço engessado,
Ter alguns dentes partidos, ou um joelho arranhado.

Papai guardava veneno em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado.
Nunca fui envenenado com as tintas dos brinquedos,
Remédios e detergentes se guardavam sem segredos.
E descalço, na areia, eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos.


Aboli todos os medos apostando umas carreiras
Em carros de rolimã sem usar cotoveleiras.
Pra correr de bicicleta nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras.
Entre outras brincadeiras, brinquei de carrinho de mão,
Estátua, jogo da velha, bola de Gude e pião.
De mocinhos e “caw-boys” e até de super-heróis
Que vi na televisão.

Eu cantei Cai, Cai, Balão; Palma é palma, Pé é pé;
Gata Pintada; Esta Rua; Pai Francisco e De Marré.
Também cantei Tororó, brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé.



Com anzol e jereré, muitas vezes fui pescar,
E só saía do rio pra ir pra casa jantar.
Peixe nenhum eu pegava mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar.

Tomava banho de mar na estação do verão
Quando papai nos levava em cima de um caminhão.
Não voltava bronzeado mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão.

Sem ter tanta evolução o “Playstation” não havia,
E nenhum jogo de vídeo naquele tempo existia,
Não tinha vídeo cassete, muito menos internet
Como se tem hoje em dia.


O meu cachorro comia o resto do nosso almoço,
Não existia ração nem brinquedo feito osso.
E para as pulgas matar nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço.


E ele achava um colosso tomar banho de mangueira,
Ou numa água bem fria debaixo duma torneira.
E a gente fazia farra usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira.

Fui feliz a vida inteira sem usar um celular.
De manhã ia pra aula mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar.

Comecei a trabalhar com oito anos de idade,
Pois o meu pai me mostrava que pra ter dignidade
O trabalho era importante pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade.

Mas hoje a sociedade essa visão não alcança,
E proíbe qualquer pai dar trabalho a uma criança.
Prefere ver nossos filhos vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança.

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes de tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade, e hoje sinto vontade
De ser criança outra vez…


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nov
7
“Ouvir estrelas”, soneto de Olavo Bilac

Esta semana fui surpreendido, de maneira agradável, no ônibus em que viajava de volta para casa. Em vez daquelas propagandas sem graça, havia um cartaz com este lindo poema de Olavo Bilac: “Ouvir estrelas“. Parece que alguém teve a sensibilidade de ver que a vida é feita também de poesia.



Créditos das imagens: Google

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!”
E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto!

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.



Créditos das imagens: Google

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac


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set
17
Eu amo a Lua prateada!

A lua tem sido, desde os tempos mais remotos, o corpo celeste que mais tem inspirando obras de arte, canções, poemas e romances, dentre outros. Não fica de fora do imaginário infantil e tem presença marcante na vida dos casais enamorados.
Dizem os romancistas que incontáveis histórias de amor começaram com uma simples frase como esta: “Olha como a Lua está linda!” e afirmam que a Lua mexe com os apaixonados, bem como é testemunha dos muitos segredos entre os casais.

Esta semana recebi este lindo slide, que mostra uma Lua sem poluição visual. As imagens são belíssimas. Para acompanhá-las, compartilho também esta pequena, porém linda poesia, de Ubirajara, “Eu amo a lua prateada” e parte da letra da música “Malandrinha“, de Martinho da Vila, que cantei algumas vezes para minha amada Sonia, em especial naqueles dias em que a Lua pedia uma canção.


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