out
25
A porta aberta


Créditos: imagem Google

Ao receber esta mensagem por email, estive pensando nos muitos filhos que abandonam cedo a casa dos seus pais. Com o passar dos anos, boa parte dele lembra da casa paterna. Uns sentem desejo de voltar, mas sentem vergonha ou temem não serem recebidos. Outros jamais voltam.

Esta história nos faz pensar num coração cheio de amor, despojado de qualquer sentimento de revolta pela ingratidão do filho que partiu e nunca mais deu notícias. Um coração que perdoa e recebe de volta. Um coração que jamais deixou de amar aquele que não soube desfrutar o amor que lhe foi devotado.

“A porta aberta

“Foi na escócia, em Glasgow, que esta história aconteceu. A adolescente tinha problemas em casa, vivendo revoltada com os limites impostos por seus pais. Ela queria liberdade plena.

“Seus pais lhe ensinaram a respeito de Deus e de suas leis justas e imutáveis. Um dia, ela declarou: não quero seu Deus. Desisto, vou embora.

“Saiu de casa, alcançou os jardins do mundo e almejou ser uma mulher do mundo. Logo descobriu que não era tão fácil viver sozinha, tendo que arcar com sua própria subsistência.

“O alimento, as roupas, um lugar para viver. Tudo era extremamente caro. Frágil e só, incapaz de conseguir um trabalho, ela acabou por se prostituir para sobreviver.

“Os anos se passaram. Seu pai morreu. Sua mãe envelheceu. E ela nunca mais tentou qualquer contato com os seus.

“Certo dia, a mãe ouviu falar do paradeiro da filha. Foi até a zona de prostituição da cidade, tentando resgatá-la, mas não a encontrou.

“No caminho de volta, tomou uma resolução. Parou em cada uma das igrejas e templos e pediu licença para deixar ali uma foto sua. Era uma foto daquela mãe grisalha e sorridente, com uma mensagem manuscrita: eu ainda amo você. Volte para casa.

“Os meses se passaram. Nada aconteceu. Então, um dia, a jovem foi a um local onde se distribuía sopa para os carentes. Sentou-se, enquanto ouvia alguém falar algo sobre aquelas coisas que ela ouvira durante toda sua infância.

“Em dado momento, seu olhar se voltou para o lado e viu o quadro de avisos. Pareceu reconhecer aquela foto.

“Seria possível?

“Não se conteve. Levantou-se e leu a mensagem: eu ainda amo você. Volte para casa.

“Reconheceu sua mãe no retrato. Era bom demais para ser verdade.

“Ela desejara tantas vezes voltar, mas temia não ser recebida. Afinal, ela se transformara numa vergonha para os seus pais. Era uma mulher perdida. Objeto de tantos homens.

“Era noite, mas, tocada por aquelas palavras, ela foi caminhando até sua casa. Amanhecia o dia, quando chegou. O sol se espreguiçava em sua cama de nuvens e seus raios escorriam, radiantes, inundando a terra de pequeninos pontos de luz.

“Tímida, ela se aproximou de sua casa. Não sabia bem o que fazer. Bateu na porta e esta se abriu sozinha. Ela se assustou.

“Alguém arrombara a casa, pensou. Preocupada com sua mãe, correu para o quarto e a viu dormindo.

“Acordou-a, chamando-a: mãe, sou eu. Voltei para casa.

“A mãe mal podia acreditar. Abraçou-se à filha, em lágrimas.

“Fiquei tão preocupada, mãe. A porta estava aberta. Pensei que alguém tinha entrado e ferido você.

“Enquanto passava as mãos, docemente, pelos cabelos da filha, a mãe disse: filha querida. Desde o dia em que você se foi, a porta nunca mais foi fechada”.



5 Comments

  1. Eu fiquei emocionada, especialmente pq fico pensando nas coisas que venho passando, Antonio…. meu amigo…. eu tenho tanto amor por minha filha, esta justiça de “M”, que se vende como uma prostituta, pode acabar me deixando com a porta aberta em longa espera…

    O seu texo foi comovente.
    Beijinhos

    Comentário by sissym — outubro 25, 2010 @ 10:52 pm

  2. Olá Antonio,
    Que história emocionante!!!
    Realmente é de tocar nosso coração.
    A atitude de nunca ter fechado a porta tem uma significação de amor maternal e até divino, que demonstra estar de braços abertos para perdoar e receber de volta a filha amada, independente de suas atitudes inconsequentes.
    Foi assim que Deus nos amou!!!
    Obrigada por compartilhar tão lindo texto.
    Abraços.
    Sonia Costa

    Comentário by Sonia Costa — outubro 25, 2010 @ 11:48 pm

  3. “Enquanto passava as mãos, docemente, pelos cabelos da filha, a mãe disse: filha querida. Desde o dia em que você se foi, a porta nunca mais foi fechada”.

    Excelente mensagem de amor. Amor de mãe!! E o amor de Deus por nós, que nos busca, nos resgata, sofre com nossa desobediencia e nossa cabeça dura???

    Lindo texto!! Uma grande reflexão para nós.Obrigada por esse compartilhar.Parabéns!!!

    Comentário by Sonia Regly — outubro 25, 2010 @ 11:58 pm

  4. Paz meu irmão!
    Estou com os olhos cheios de lágrimas…
    Um primo meu morreu sem pedir perdão ao seu pai.(os dois eram cabeça dura)
    Só quando perdemos é que aprendemos a dar valor.Nunca é tarde pra pedir perdão,receber um abraço.
    Só eu sei a falta que sinto dos meus pais,eu sai de casa quando minha mãe morreu,mas graças à Deus sempre estive ao lado do meu pai,até na hora de sua morte.
    Um abraço!

    Comentário by Elisa Cunha. — outubro 26, 2010 @ 1:14 pm

  5. A biblia ja mostra com a Parábola do Filho Pródigo ….os pais nunca abandonam seus filhos (ou quase) e os filhos também não deveriam abandonar seus pais.

    Comentário by Joselito — outubro 31, 2010 @ 12:11 pm

RSS feed for comments on this post.

Sorry, the comment form is closed at this time.