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Como se escreve…?

Lembro-me de quando minhas filhas ficavam me esperando para me mostrarem seus trabalhinhos da escola, os presentinhos que ganhavam ou queriam brincar comigo. Por várias vezes cheguei muito tarde em casa (trabalhava em dois empregos) e saía muito cedo e os nossos desencontros eram constantes.

Emocionei-me demais ao ler esta historinha. Graças a Deus, hoje tenho um pouco mais de tempo para dar atenção às filhas, já “grandonas” (28 e 25 anos), dedicando-me mais aos netos Gabriel (12) e Giovanna (6).
triste

“Quando eu tinha somente cinco anos, a professora do jardim de infância pediu aos alunos que fizéssemos um desenho de alguma coisa que amávamos. Eu desenhei a minha família. Depois, tracei um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras. Desejando escrever uma palavra acima do círculo, saí de minha mesinha e fui até à mesa da professora e disse:
– Professora, como a gente escreve…?
Ela não me deixou concluir a pergunta. Mandou-me voltar para o meu lugar e não me atrever mais a interromper a aula. Dobrei o papel e o guardei no bolso.
Quando retornei para casa, naquele dia, me lembrei do desenho e o tirei do bolso. Alisei-o bem sobre a mesa da cozinha, fui até minha mochila, peguei um lápis e olhei para o grande círculo vermelho. Minha mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia. Eu queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela e disse. Mamãe, como a gente escreve…?
– Menino, não dá para ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta, foi a resposta dela. Dobrei o desenho e guardei no bolso.

Naquela noite, tirei outra vez o desenho do bolso. Olhei para o grande círculo vermelho, e peguei o lápis. Queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para meu pai. Alisei bem as dobras e coloquei o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do meu pai e disse:
– Papai, como a gente escreve…?
pai– Estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta. Dobrei o desenho e o guardei no bolso novamente.

No dia seguinte, quando minha mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça enrolados no papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude. Todos os meus “tesouros” que eu catara enquanto brincava fora de casa. Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo.
Os anos passaram…
Quando tinha 28 anos, minha filha de cinco anos, fez um desenho. Era o desenho da sua (minha) família. Sorri quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e me disse.
– Este aqui é você, papai!
Olhei para o grande círculo vermelho feito por minha filha ao redor das figuras, e lentamente comecei a passar o dedo sobre o círculo. Ela desceu rapidamente do meu colo e avisou:
– Eu volto logo!
E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos meus joelhos, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou.
– Papai, como a gente escreve amor?
crianca-perguntaAbracei minha filha, tomei a sua mãozinha e a fui conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia:
– Amor… Amor, querida, se escreve com as letras T…E…M…P…O (TEMPO).

Conjugue o verbo amar todo o tempo. Use o seu tempo para amar. Crie um tempo extra para amar, não esquecendo que para os filhos, em especial, o que importa é ter quem ouça e
opine, quem participe e vibre, quem conheça e incentive. Não espere seu filho ter que descobrir sozinho como se soletra amor, família, afeição.
Por fim, lembre-se: se você não tiver tempo para amar, crie. Afinal, o ser humano é um poço de criatividade e o tempo… bom, o tempo é uma questão de escolha.

Desconheço o autor



4 Comments

  1. Pai vi vc falando algo sobre as filhonas grandonas, fiquei curiosa e fui ler o post. Muito lindo! Mesmo vc achando que não, vc e a minha mãe foram pais muito presentes. Lembro bem que melequei seu cabelo de Neutrox várias vezes mesmo vc chegando cansado do trabalho. :ouch: Te ajudei a arrumar os papéis das eleições até tarde (a recompensa era os papelões pra gente fazer casinhas pelo apartamento todo rsrs). :o):
    O lanchinho que eu levapra pra escola então nem se fala. Joelho, esfirra, suco de laranja… ai ai rsrs
    Minha mãe sempre comprava papel de carta e sentava com a gente pra ajudar a arrumar nossas pastas com as coleções. Tenho muitas lembranças. Nosso lar era(é) um lar muito feliz! Adorei o post!!!!!!!!!!! Te amo! Bjooo 🙁

    Comentário by Evelyn — março 9, 2009 @ 3:10 pm

  2. Parece que me vi nesta história (realmente fiquei emocionado, com lágrimas nos olhos).
    A minha caçula tem 9 anos e, como fiz com suas irmãs mais velhas, sempre paro o que estou fazendo quando ela fala comigo. Sei como é ser criança e não ter a atenção dos adultos que amamos./h

    Comentário by humberto — março 14, 2009 @ 2:41 am

  3. Muito bonita a mensage, fiquei emocionado. Quando eu tiver meus filhos quero ser um pai presente, representar um porto seguro.
    Meus pais são divorciados, só vi meu pai uma vez há 12 anos atrás. Minha mãe representou os dois papéis, não deixando me faltar nada. Pelo fato dela trabalhar muito, quando eu era pequeno, muitas vezes me sentia um pouco só. Por isso quero ser um ´pai daquelas bem coruja…rs

    Abraços!!!

    Comentário by Kadan Cordeiro — março 14, 2009 @ 2:56 am

  4. História linda! Tento fazer isso tds dias com as minhas filhas lindas (Raquel 11 anos e Carolina 2 anos) Elas são o sol da minha vida e há q aproveitar cada dia como se não houvesse amanhã 👿

    Comentário by ana paula — setembro 13, 2009 @ 8:31 pm

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